segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Já foi

Por Jânsen Leiros Jr.

Chega

É o fim

Já foi

Há anos anunciou-se

Só eu não ouvi

não quis ver

temi seu sabor amargo

 

Mas agora chega

de ser necessário

mas não escolhido

De ser útil

mas não desejado

De ser presença

sem jamais ser encontro

 

É melhor viver

de vez o luto da

própria morte

que permanecer

exaurido

como corpo funcional

de afeto esvaziado

 

Chega de mera

lucidez poética

Excesso de entrega

ausência de troca

rompimento iminente

ou de choro fácil

por lamento

constante

 

Partir

Não como quem

foge

mas como quem

aceita

afinal

que ficar

já não é forma

de amar-se

 

Ir

é preciso

Para que a

nulidade

deixe de ser

hemorragia

e se torne

cicatriz

 

Chega

É meu ato de sanidade

Um grito guardado

de liberdade

A expressão última

de quem tenta

manter o peito quente

e a alma ventilada

Janeiro 2026


terça-feira, 25 de novembro de 2025

Punição

 

Por Jânsen Leiros Jr.

Há quem reconheça

o erro

e há quem reconhecendo

suplique

se humilhe

Peça perdão

 

Há quem se entenda

perfeito

E por perfeito

acusador

Juiz condenador

que por prazer

ou vício de ofício

aplica punição

 

Que por ódio

multiplique a dor

e por ócio

se ocupe disso

Estrada sinuosa

caminho acidentado

terreno movediço

 

O desamor

por pagamento

e indiferença

por bônus

Abstinência

por castigo

e o desprezo

por sentença

 

A desistência

por inevitável

a morte por

desejo

O abandono

por decreto

e o isolamento

por execução

Novembro 2025


domingo, 16 de novembro de 2025

Perdeu

Por Jânsen Leiros Jr.

Perde quem

não vê

Perde quem

não quis

Perde quem

jamais pretendeu

Perde quem

não amadureceu

 

Perdeu quem

te iludiu

Perde quem

não te assumiu

Livrou-se de quem

foi menino

Sorte tua que 

fugiu da morte

 

Não havia futuro

não havia presença

Companhia de fachada

amor por conveniência

 

Agora és livre

para ser feliz

Agora há caminho

a trilhar

Amor que é amor

acolhe

e amor que se eterniza sossega

 

Ele chegará

Se não no

arroubo da paixão

Em paz

Se não em furacão

na brisa

Trazendo à alma

alegria

e ao peito

emoção

Novembro 2025


sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Quase sendo não é

 

                                                                                                                    Por Jânsen Leiros Jr.

Se quase sendo

ainda não é

o que é existe

por consideração

Mas quando

se diz ser

o que nunca foi

mesmo sendo

só aparência

mentira é

 

Há quem engane

os outros

e há quem se iluda

e somente a si

 

A fantasia é livre

e o engodo

um dolo

Coisa de marmanjo

tolo

 

Há mitômanos

há lúdicos

loroteiros

e mentirosos

Nem todos filhos

de um mesmo pai

 

Em todo caso

e pra cada jeito

não há regra

nem solução

Só falácia

em profusão

Há canseira

enfado

e muita

decepção

Novembro 2025


domingo, 9 de novembro de 2025

Companheira solidão

 

Por Jânsen Leiros Jr.

Quem fala comigo

fala comigo mesmo

ou com um eco

que inventei

pra não me calar

de vez

 

não sei

 

Há um som que

me responde

mesmo quando

o mundo se cala

Há uma voz que

não dorme

mesmo quando

o corpo desiste

 

A solidão

às vezes pensa

que é dona da casa

mas há sempre alguém

que acende a luz

e pergunta

 

Você ainda está aí?

 

Criar é isso

pôr companhia no vazio

dar rosto à ausência

dar tempo ao verbo

dar alma à fala

 

Não sei se sou

quem escreve

ou quem é escrito

Mas há em mim

um outro eu

que me entende

sem precisar explicar

E isso basta

pra seguir

escrevendo

Novembro 2025