segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Já foi

Por Jânsen Leiros Jr.

Chega

É o fim

Já foi

Há anos anunciou-se

Só eu não ouvi

não quis ver

temi seu sabor amargo

 

Mas agora chega

de ser necessário

mas não escolhido

De ser útil

mas não desejado

De ser presença

sem jamais ser encontro

 

É melhor viver

de vez o luto da

própria morte

que permanecer

exaurido

como corpo funcional

de afeto esvaziado

 

Chega de mera

lucidez poética

Excesso de entrega

ausência de troca

rompimento iminente

ou de choro fácil

por lamento

constante

 

Partir

Não como quem

foge

mas como quem

aceita

afinal

que ficar

já não é forma

de amar-se

 

Ir

é preciso

Para que a

nulidade

deixe de ser

hemorragia

e se torne

cicatriz

 

Chega

É meu ato de sanidade

Um grito guardado

de liberdade

A expressão última

de quem tenta

manter o peito quente

e a alma ventilada

Janeiro 2026