Por Jânsen Leiros Jr.
Chega
É
o fim
Já
foi
Há
anos anunciou-se
Só
eu não ouvi
não
quis ver
temi
seu sabor amargo
Mas
agora chega
de
ser necessário
mas
não escolhido
De
ser útil
mas
não desejado
De
ser presença
sem
jamais ser encontro
É
melhor viver
de
vez o luto da
própria
morte
que
permanecer
exaurido
como
corpo funcional
de
afeto esvaziado
Chega
de mera
lucidez
poética
Excesso
de entrega
ausência
de troca
rompimento
iminente
ou
de choro fácil
por
lamento
constante
Partir
Não
como quem
foge
mas
como quem
aceita
afinal
que
ficar
já
não é forma
de
amar-se
Ir
é
preciso
Para
que a
nulidade
deixe
de ser
hemorragia
e
se torne
cicatriz
Chega
É
meu ato de sanidade
Um
grito guardado
de
liberdade
A
expressão última
de
quem tenta
manter
o peito quente
e
a alma ventilada
Janeiro 2026
