domingo, 11 de dezembro de 2016

Uma mulher


Por Jânsen Leiros Jr.

Uma mulher tem

poderes

que nem todo

poder a

pode entender

Uma mulher tem

caminhos

que por caminho

algum se pode

prever

 

Uma mulher sempre

diz mais do

que fala

embora fale

muito mais

do que precisa

dizer

Se apresenta com gestos

finos e elegantes

com outros

amplos e alarmantes

Uma mulher fala

com alma e

verdade

ainda que se

pretenda iludir

 

Quando comum

é linda

Quando exuberante

manda mensagem

Quem por tolo

não a entende

ou mesmo não

a quer entender?

E por ser

linda e independente

independentemente

do que diz

se revela e

se insinua

na beleza com

que declara

tudo aquilo que é

 

Tão linda de tudo

desde o seu interior

se derrama frágil

em todo seu esplendor

Seu recado é percebido

Sua mensagem acolhida

Que melhor forma de se

reconhecer querida?

Que melhor forma de se

mostrar mulher?

Outubro 2016

O que não é


Por Jânsen Leiros Jr.

Amor não é concurso

nem prova

ainda que se prove

e se aprove

Amor não se degusta

Se alimenta e se nutre

de gestos e atitudes

quase sempre

disfarçados

 

O amor não tem

razões

                  tem

pulsões

nem é disputa

de virtudes

Não cabe

ainda que muita coisa

caiba no amor

mesmo transbordante

 

Amor é o que

tiver de ser

Se não for assim

amor é que não é

E se amor não for

não resiste ao tempo

Nem mesmo à

chuvas corriqueiras e

ventos passageiros

 

Amor é o que é

e é por ser assim

que o amor acontece

E por mais imprevisível

destemido

E sendo apenas o que é

sempre será

Sem razão e sem porque

Sendo amor e nada mais

Novembro 2016

Ser amigo


Por Jânsen Leiros Jr.

Oi

Tudo bem?

Como vai?

Qual seu nome?

Este é o meu

Eu sou assim

Que bom que gostou

E você?

Aceito assim mesmo

Tenho troco para

cinco minutos de amor

Tem duas horas de

compreensão?

Onde vai?

Companhia?

Meu conselho

 

Quer ser meu amigo?

Dezembro 1983

sábado, 29 de outubro de 2016

Cruzadas


É sempre dia


Por Jânsen Leiros Jr.
Não havia esperança

Não restaram súplicas

Se pedidos escondidos

eram mudos

Inconscientes e desprovidos

da pretensão de atendidos

Já era tarde

 

Não passava pela mente

qualquer lembrança

nem surgia na alma

qualquer vontade

Só a entrega à mesmice

do descaso e o descuido

Desistência

Já vivia o meu ocaso

 

Era um dia assim

e outro igual

Nada novo

Só a promessa

de tudo ser igual

a tudo que sempre foi

A garantia de se ter

sempre todo dia

o mesmo desamor

Para qualquer coisa

estava tarde

 

Mas numa tarde

quando muito tarde

como sol da manhã

cintilou o olhar

Novos sons

novos brilhos

novas cores

Muitas falas

que ouvidas

repetidas

 

Ventavam de lábios

Caprichosos

envolventes

e admiráveis

Não se notou

o tempo

não se contaram

as horas

Já nem era assim

tão tarde

E o relógio até

retrocedeu

A agenda travou

 

O coração pulou

de susto e

reviveu no tranco

Enxergou-se a vida

pela janela

daquela alma

Redescobriu-se prazer

na rotina a cumprir

Renovados desejos

remoçados sentidos

nunca é tarde

para realizar

o que negara sonhar

Quem se importa

com a tarde?

É sempre dia

enquanto a noite

não chegar

Outubro 2016