segunda-feira, 6 de abril de 2020
terça-feira, 24 de março de 2020
Sempre foi segredo
Por Jânsen Leiros Jr.
Sempre foi segredo
Bem trancado e escondido
guardado e mantido
reservado só para mim
Um sentimento exclusivo
de pensamento emotivo
Uma emoção racional
preservada a salvo de mim
Eu sonhava acordado
e dormia enganado
Esperava que com o tempo
fosse possível esquecer
Acreditava após semanas
sumir da retina e da lembrança
Mas foram-se os meses
e voaram muitos anos
Tantos sóis e tantas luas
devastaram o coração
Nada apagou você
ou tampouco cessou a paixão
Um reencontro bastou
para reviver num relance
todo o bem protegido
Como criança sonhei
de adolescente me fiz
Corajoso cheguei
para jamais encobrir
Sonhei parar de fugir
pretendendo parar de mentir
omitir
de mim flagrante confissão
Chega de fingir
É preciso decidir
Ou resgatamos nossa vida perdida
ou sumimos de nós e de vez
Atualizado em Março 2020
domingo, 15 de março de 2020
Me emprestem ouvidos
Por Jânsen Leiros Jr.
Quem sobrevive
isolado?
Damos pistas
mas ninguém descobre
Indicamos
mas ninguém entende
Escrevemos
mas quem é que lê?
Quando desenhamos
desdenham
e quando em fotos
ignoram
Melhor é fingir
que tudo bem
Ninguém se importa
e não há quem se interesse
Conveniências
ditam as agendas
e os dias se passam
ocupados de si mesmos
Não há quem me olhe nos olhos
muito menos quem
me empreste ouvidos
Os poucos que percebem feridas
estão baixados
tratando
como podem
das suas
A solidão toma conta
e a depressão se aproveita
Todos em trincheiras
escondidos de guerra infinita
Lutam incansáveis
e resolutos
por míseros
instantes de vida
Março 2020
quarta-feira, 11 de março de 2020
Pena pela pena
Por Jânsen Leiros Jr.
Seria medo da noite
pavor do silêncio
angústia por nada
ou de um sono profundo
jamais acordado?
Seria o horror
de não mais existir
ou vontade
de não desistir?
Não seria medo
de morte matada
nem tampouco
de morte morrida
Talvez lamento
da morte passiva
inerte assistida
Ou medo de morte
esquecida
Não é medo de verdade
nem lamento da saudade
É tristeza em partir
É apenas
de fato
uma pena
Pena por não ser completo
por não ter por perto
emoções perdidas e
outras nem vividas
Planos jamais vividos
e outros tantos sequer pensados
Lamento dos sonhos abandonados
Pena pelas cenas cortadas
pelas vozes caladas
pelo palco apagado e
pelas rimas cessadas
Pena de meus livros órfãos
de meus textos loucos
de meus dedos tortos e
de meu quarto escuro
Pena pela pouca sorte
de minha pena
Março 2020
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