domingo, 17 de maio de 2020

Condenação à revelia


Por Jânsen Leiros Jr.
Não bastasse a vergonha
de uma bruta idiotice
não bastasse a dor que
provocou
Não bastasse a lição
aprendida com pavor
não bastasse revivê-lo
sempre
Se fariam necessárias
novas doses de veneno
novas chamas de
discórdia e solidão?
É preciso remexer
a lama
lambuzar as mãos
reviver o caos?
Novas agressões
novos xingamentos
Onde o lucro de
de um mesmo ódio
renovado?
O novo que se vive
nada diz
As novas atitudes
pouco importam
O bem que se instala
é perigoso
carecemos descascar
feridas
Nada havendo para doer
nada sendo que se dê
Recordamos
Repensamos
Reeditamos
Recriamos
Revivida toda a fúria
decidiu-se o decidido
Um mal que repercute
muito além de todo bem
Condenação à revelia
de flagrante exposto
Decretação que
reverbera
na punição que
tripudia
A opção ajuizada
para tudo o que
pretendente
Um motivo oferecido
ao desejo que convém
Maio 2020

terça-feira, 24 de março de 2020

Sempre foi segredo


Por Jânsen Leiros Jr.
Sempre foi segredo
Bem trancado e escondido
guardado e mantido
reservado só para mim
Um sentimento exclusivo
de pensamento emotivo
Uma emoção racional
preservada a salvo de mim

Eu sonhava acordado
e dormia enganado
Esperava que com o tempo
fosse possível esquecer
Acreditava após semanas
sumir da retina e da lembrança
Mas foram-se os meses
e voaram muitos anos
Tantos sóis e tantas luas
devastaram o coração
Nada apagou você
ou tampouco cessou a paixão
Um reencontro bastou
para reviver num relance
todo o bem protegido

Como criança sonhei
de adolescente me fiz
Corajoso cheguei
para jamais encobrir
Sonhei parar de fugir
pretendendo parar de mentir
                                  omitir
de mim flagrante confissão
Chega de fingir
É preciso decidir
Ou resgatamos nossa vida perdida
ou sumimos de nós e de vez
Atualizado em Março 2020

domingo, 15 de março de 2020

Me emprestem ouvidos


Por Jânsen Leiros Jr.
Quem sobrevive
isolado?
Damos pistas
mas ninguém descobre
Indicamos
mas ninguém entende
Escrevemos
mas quem é que lê?
Quando desenhamos
desdenham
e quando em fotos
ignoram
Melhor é fingir
que tudo bem

Ninguém se importa
e não há quem se interesse
Conveniências
ditam as agendas
e os dias se passam
ocupados de si mesmos
Não há quem me olhe nos olhos
muito menos quem
me empreste ouvidos
Os poucos que percebem feridas
estão baixados
tratando
como podem
das suas

A solidão toma conta
e a depressão se aproveita
Todos em trincheiras
escondidos de guerra infinita
Lutam incansáveis
e resolutos
por míseros
instantes de vida
Março 2020