quinta-feira, 9 de julho de 2020

O belo revelado

 

Por Jânsen Leiros Jr.

O que é a beleza

senão a atração

que provoca?

A que se destina

senão ao espanto

e à prisão?

Nos faz cativos

e por cativos

aflitos

Não tem descanso

quem por ela

se garante

O belo

porém é leveza

e contemplação

Traz alegria e

satisfação

Nos faz livres e soltos

mas quem do

belo quer se

afastar?

Se a beleza atrai

o belo nos desperta

A beleza é fugaz

mas o belo eficaz

Porque beleza até

se conquista

mas o belo apenas

se exercita

A beleza um dia

se acaba

mas o belo se propõe

imortal

Não há culpa na beleza

Nem vergonha

Mas o belo é real

e a tudo legitima

E quando o belo

sobrepuja

a beleza permanece

Porque do belo

se alimenta

e de verdade se

reveste

A beleza um dia

se vai

mas o belo revelado

confirmado

unindo nos

fará eternos

Julho 2020

domingo, 17 de maio de 2020

Condenação à revelia


Por Jânsen Leiros Jr.
Não bastasse a vergonha
de uma bruta idiotice
não bastasse a dor que
provocou
Não bastasse a lição
aprendida com pavor
não bastasse revivê-lo
sempre
Se fariam necessárias
novas doses de veneno
novas chamas de
discórdia e solidão?
É preciso remexer
a lama
lambuzar as mãos
reviver o caos?
Novas agressões
novos xingamentos
Onde o lucro de
de um mesmo ódio
renovado?
O novo que se vive
nada diz
As novas atitudes
pouco importam
O bem que se instala
é perigoso
carecemos descascar
feridas
Nada havendo para doer
nada sendo que se dê
Recordamos
Repensamos
Reeditamos
Recriamos
Revivida toda a fúria
decidiu-se o decidido
Um mal que repercute
muito além de todo bem
Condenação à revelia
de flagrante exposto
Decretação que
reverbera
na punição que
tripudia
A opção ajuizada
para tudo o que
pretendente
Um motivo oferecido
ao desejo que convém
Maio 2020

terça-feira, 24 de março de 2020

Sempre foi segredo


Por Jânsen Leiros Jr.
Sempre foi segredo
Bem trancado e escondido
guardado e mantido
reservado só para mim
Um sentimento exclusivo
de pensamento emotivo
Uma emoção racional
preservada a salvo de mim

Eu sonhava acordado
e dormia enganado
Esperava que com o tempo
fosse possível esquecer
Acreditava após semanas
sumir da retina e da lembrança
Mas foram-se os meses
e voaram muitos anos
Tantos sóis e tantas luas
devastaram o coração
Nada apagou você
ou tampouco cessou a paixão
Um reencontro bastou
para reviver num relance
todo o bem protegido

Como criança sonhei
de adolescente me fiz
Corajoso cheguei
para jamais encobrir
Sonhei parar de fugir
pretendendo parar de mentir
                                  omitir
de mim flagrante confissão
Chega de fingir
É preciso decidir
Ou resgatamos nossa vida perdida
ou sumimos de nós e de vez
Atualizado em Março 2020