sábado, 25 de fevereiro de 2023

Tanto faz como tanto fez

Por Jânsen Leiros Jr.

Tanto quis

que tanto fez

e conseguiu

Você me convenceu

- E daí?

Daí que nossa estrada

termina aqui

Para quê seguir

ou por que insistir

no que se sabe

finito

natimorto

ou jamais existido?

 

Esticar uma trilha

forjada

realidade forçada

união fracassada

Mera tortura

instantes a mais

da venda nos olhos

à foice ao pescoço

Rumor de horrores

com rufas

de tambores

Essa morte é clemência

e o fim é direito

respeito e socorro

 

Tanto fez

que você convenceu

Com clareza afirmou

E repetiu

Que nem era para eu

estar por aqui

estar pela vida

Se nem mesmo na minha

muito menos na sua

 

Estou indo

Só não sei o momento

em que sumo

Mas assumo

Gostaria que fosse ontem

preferia que há anos

ou quem sabe a décadas

São muitas as formas de ir

Indo

sumindo

ficando

invisível

Observando

silente

indiferente

 

Agora para mim

tanto faz

como jamais

para mim

tanto fez

Fevereiro 2023


domingo, 8 de maio de 2022

Há filho de mãe

                                                                                                                               Por Jânsen Leiros Jr.

A cada filho

parido

nasce

uma mãe

Mesmo que já

tenha outros

para cada filho

uma mãe

 

Há filho de

mãe solteira

e filho de

mãe de carreira

Há filho de

Mãe póstuma

e filho de

mãe vívida

Há filho de

mãe nova

e filho de

mãe vivida

Há filho de

mãe esquecida

mas esse já é

filho da outra

Há filho de

Mãe que é uma só

e há filho de

múltiplas mães

 

Há filho de

mãe poderosa

e filho de

mãe harmoniosa

Há filho de

mãe briguenta

e filho de

mãe que já desistiu

Há filho de

mãe que implica

e filho de

mãe que acerta

no alvo

Há filho de

mãe que grita

como há filho de

mãe que já

nem pode falar

Há filho de

mãe quituteira

ou assim como eu

que sou filho

de sogra

 

Há filho de

mãe que se entrega

e filho de

mãe que se deixa levar

Há filho de

mãe amorosa

e filho de

controladora

Há filho de

mãe rigorosa

e filho de

mãe abusiva

Há filho de

mãe vaidosa

e filho de

mãe sem cuidado

Há filho de

mãe que é estrela

assim como há

filho das trevas

 

Há filho de

mãe por perto

e filho de

mãe ao longe

Há filho de

mãe pai

como há filho de

mãe avó

Há filho de

mãe raçuda

e filho de

mãe colorida

Há filho de

mãe que já não lembra

E filho de

mãe inesquecível

 

Há filho de

mãe que é santa

e há filho de

Mãe que nem tanto

Assim como

há filho de

mãe diurna

e filho de

mãe soturna

Há filho de

mãe que passeia

demais

e filho de

mãe que já nem

anda mais

Há filhos pelados

há filhos mesclados

há filhos peludos

E todos esses têm mãe

 

Não há quem

não tenha sido

filho de que mãe

tenha tido

Todos somos

Ou fomos

filhos um dia

e filhos seremos

para sempre

Eu lembro muito

da minha que hoje

seria e não é

E que você não

se esqueça

da sua

sendo ou não sendo 

seu dia

Maio 2022

sábado, 30 de abril de 2022

Poesia amiga

Por Jânsen Leiros Jr.

Solidão mata

Sinto seu punhal

Cada vez mais

perto do peito

avançando

implacável

Um castigo perpétuo

inclemente

e definitivo

 

- É bom estar só

- Você fala com a casa cheia

Porque solidão raiz

apaga a alma

antes mesmo do

fechar de olhos

Morte abusiva

e sem pressa

 

Desculpem se o

assunto recorre

Desculpem se

desconhecem por que

É que sofro assim

sinto assim

e me dói assim

Essa realidade inquieta

Ninguém tem

nada com isso

eu sei

mas me permitam

o desabafo

Intempestivo

impertinente

e deslocado

 

Escorrem lágrimas

pelo papel

Poesia escrita

sem tinta ou correções

e eu falo imerso nela

crescente à minha volta

Letras

palavras e frases

voando ao meu redor

Poesia amiga

Fiel companhia

maior parceria

Julgando melhor

nem estou tão só

Abril 2022

terça-feira, 26 de abril de 2022

Amanhã eu nem sei

Por Jânsen Leiros Jr.

Eu procrastino

tu me enrolas

nós empurramos

com a barriga

Eu deixo para depois

você para amanhã

e nós não faremos

jamais

 

A vida vai rolando

adiada

e o que importa

para um dia seguinte

O instante

passa do ponto

o momento

se perde no tempo

e a oportunidade

fica sempre para trás

 

E quando

a preguiça se acaba

o receio se vai

e os interesses

se equilibram

quase sempre

e para sempre

é tarde demais

Os filhos cresceram

a companhia partiu

os amigos se foram

e os pais já não são

 

Depois e

para sempre depois

os rios secaram

o sol se escondeu

o navio zarpou

e o avião decolou

 

A vida só é vida

e para sempre o será

hoje

E o hoje só se vive

agora

Se adiar a vida

é perigosa armadilha

postergá-la

é enganosa ilusão

 

Se der

e somente se der

amanhã corremos

ainda mais longe

caminhamos

ainda mais léguas

dormimos

outras tantas horas

e gritamos

muito mais forte

E se depois

ainda existirmos

abraçamos mais gente

beijamos mais rostos

e seguimos intensos

 

E se chegar

o amanhã

e se for para ser

sofreremos a dor

choraremos as perdas

e sentiremos calor

Cada cor para

a hora que for

 

Porque hoje

eu já sei o que é

mas amanhã

eu nem sei se será

Abril 2022

 

domingo, 17 de abril de 2022

Liberdade à vista

Por Jânsen Leiros Jr.

É passagem

É saída

É resgate

É vida

 

É liberdade à vista

é esperança de paz

é renovo pra alma

é mais que demais

 

É criança que brinca

é infância que volta

é verdade que surge

e alegria que brota

 

É Cristo ressurreto

é vigência da graça

é morte vencida

é Páscoa de novo

 

Por gratidão aceito

pela fé compreendo

pelo amor sou movido

Sua paixão reconheço

 

Não foi por

ovo de coelho

mas por sangue

de Cordeiro

Abril 2022