sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Atalhos só atrasam


Por Jânsen Leiros Jr.

Como nunca antes

como tudo ontem

quase sempre inerte

explodiu enfim

Como pode um

esquecido e velho

renovado e bom

reviver da morte

pra viver seu fim?

 

Sempre calculei

sumir

sem chegar a ver

partir

sem sequer sentir

chorar

por perder o riso

morrer

por querer viver

Mas o renovo surgiu

De certo errou

de tempo e de espaço

ou acertou em cheio

sem saber em quê

 

Ambos ocupados

e reflexivos

ambos num susto

sacudidos

Não se sabe a razão

do fato

só conheço a emoção

do afeto

que não pequena

nem menor

é maior do que

aparenta

 

Camuflada

por oportuna

repensada

por flagrantes

desconsertos e descaminhos

ameaça

Escondida no retrato

cheira forte

à podridão

Melhor é se entregar

e de quebra descansar

Porque vontades minhas

por Vontade d’Ele

bem melhor

é a rendição

Porque atalhos

só atrasam

parecem curtos mas

são todos longos

 

No caminho

apressado

por inquietas

passadas

meu passeio

azedou

Há que se aprender

a esperança

espero até que

aprendam todos

E espero que

aprenda eu

Suplico

aprendamos nós

Outubro 2016

domingo, 11 de setembro de 2016

Ponto final


Por Jânsen Leiros Jr.

Parágrafo

 

Tudo começou

simples

Tomando forma

criando raízes

propondo esperança

 

Reticências

Logo tudo

ficou confuso

Indefinido

Gestos incertos

palavras insanas

e risco crescendo

Resistência

 

Aposto

Mesmo assim

caminhou

Persistente

cresceu

E por vontade

própria

seguiu

Não se furtou

a ser

apesar de

quase não

 

Uma vírgula

Tentativa frustrada

por acesso indevido

Pertinência perdida

Olhares de medo

e vergonha

Insegurança

Inquietação

 

Interrogação

Faltaram letras

fugiram ideias

Perdeu-se vontade

faltou malícia

e sobraram questões

Um desperdício

 

Exclamação

Rejeitada tristeza

sacudida poeira

- Melhor é parar aqui

Calar a boca

fechar os olhos

deitar a pena

e ponto final.

Março 1985

Progresso?


Por Jânsen Leiros Jr.

Amor e

bunda vida

que levo

não é pior

que a dor

de dente

das gentes

sem boca

 

Sem saúde

de dia

Vendo a morte

          à noite

Saudade da sorte

que nunca chegou

 

Povo sofrido

que não mente

Vivido na

mente

ira de um país

negligente

 

Progresso?

Outubro 1991

domingo, 4 de setembro de 2016

Pode crer


Por Jânsen Leiros Jr.

Pode alguém

crer em Deus?

Pode não?

Do que foge?

Por que busca?


Obrigado

ninguém é

Convidados

todos são

Sãos ou não


A andarem

sobre as águas

a provarem

o improvável

A terem como certo

o que não veem

não tocam

não escutam


Pode alguém

não crer em Deus?

Pode

Pode?

data desconhecida

sábado, 3 de setembro de 2016

A morte e o poeta


Por Jânsen Leiros Jr.

Há uma morte feita

para o poeta

A morte certa

Seu tema

seu lema

sua teima

Uma sina?

 

Uma gota

nos olhos

Outras tantas

na pena

A vida encantada

é plena

Sua queixa

vale à pena

Deixá-la é mesmo

uma pena

 

A morte

como musa

olhos fundos

como máscara

Seu mote predileto

é assunto recorrente

de um fim sempre

iminente

 

Mas se a sorte

traidora

faz da vida

permanente

Seu discurso não o deixa

Seguem rimas

Segue o tema

A morte sempre

assombra o poema

Outubro 1991