sábado, 8 de maio de 2021

Mãe à distância

 

Por Jânsen Leiros Jr.

A mãe de alguém

Em um dia festivo

recebe presente

Talvez alguns

Muitos

Quem sabe?

A minha é

“as” são

 

E em vez de receber

doa

Doam-se

E por mais que doa

seguem dando-se

convicta

 

Mãe é coisa de

maternidade

e não de quem

pariu

Seja a santa

ou seja a outra

mãe é a parte

sagrada de todo

caráter

- o que minha mãe

vai pensar?

 

Cada mãe nasce

quando nasce

cada filho

E a minha não

é a sua

ainda que venhamos

da mesma madre

Cuide da sua e

eu cuido da minha

E não espere de mim

ser filho em seu lugar

Tenho uma mãe

pra criar

- o que será quando

crescer?

 

Nossas disputas

          derrotas

          e vitórias

são batalhas entre 

o zelo e a liberdade

Para o primeiro

um olhar de desprezo

e para tudo o mais

ansiedade

Soubesse antes

que ter vontade dói

sucumbiria feliz

ao cuidado

Mas agora quem

nos impede ir?

 

Por isso que mãe é bom

no singular ou

no plural

E eu tive muita sorte

Meus filhos também

Muitas em uma e

uma em muitas

 

Eu quero a minha

perturbando e

me fazendo rir

Me chamando atenção

e me mandando piadas

Pior será quando não

mais puder rir

de sua desnecessária

preocupação

 

Declarar-se

um só dia

um filho feliz

é pouco

Por isso

faço toda manhã

Ou deveria

Um dia elas vão embora

E para que não sobrem

apenas isoladas lembranças

nos sejam intensas

constantes presenças

Mesmo à distância

Maio 2021

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Malas prontas

 

Por Jânsen Leiros Jr.

É o final de tudo

O fim das coisas comuns

         normais

      e naturais

Do olhar e

do sonhar

do buscar e

do esperar

Não haverá mais

vontade

Sequer a de ser

ou muito menos

a de ter

O melhor mesmo

é esquecer

na força e no tempo

deixar apodrecer

Pensamentos confusos

intenções às claras

É flagrante o cheiro

da conspiração

 

Ou quem sabe

apenas o fim

da inspiração

Saída desonrosa

amargura à porta

tudo o que se quer

é partir

Daí, daqui ou de

qualquer lugar

Certezas ao chão

suspeitas ao vento

e o nome na lama

Folhas em branco

Canetas quebradas

e luzes no escuro

Encerrada alegria e

sucumbido prazer

Cessadas as rimas

em velhos sabores

relva pesada

ao passar dos tratores

Não há mais sorrisos

nada mais é engraçado

Entrego meus pontos

e deponho minhas vírgulas

Malas prontas sem

qualquer poesia

Fim da lida

E deixarei para morrer

ao voltar pra casa

Maio 2021

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Um fim na criação

 

Por Jânsen Leiros Jr.

Criação ativa

narrativa viva

que se ocupa

enfim

a explicar a

a vida

 

Uma porção

de crentes

outra maior

descrente

Que foge

da verdade

muito mais

relevante

 

Que Deus

criou o mundo

não importa como

garantindo

estar junto

não importa onde

Junho 2018

Me arrependo

 

Por Jânsen Leiros Jr.

Olhando para trás

do que lamentar?

Dificuldades passadas

oportunidades perdidas

futuro roubado?

 

Não me arrependo

das portas abertas

nem tão pouco 

fechadas

 

Não lamento

decisões erradas

caminhos falsos

Nem atos nem fatos

 

São todos sintomas

loucuras e devaneios

frutos da inquietação

 

Incoerência?

Talvez

 

Fugi de Deus

e isso lamento

Melhor

Me arrependo

Abril 1994

sábado, 3 de abril de 2021

É isso que encanta

 

Por Jânsen Leiros Jr.

O tempo passou

é verdade

mas foi generoso

           professor

           inspirador

Te fez melhor

te construiu

    reconstruiu

e me entregou

Devolveu o que

não tinha

e repôs o que

não perdera

Um olhar de menina

no frescor das manhãs

Olhando distante

mantendo esperanças

que nem o tempo

degola

Não há preocupações

que lhe resistam

a confiança

Nem desafios

que lhe enfrentem

a coragem

 

Não sei se é isso

que encanta

não sei se é isso

que cativa

Toda foto passada

cada momento lembrado

desperta um gigante

que pretende saltar

 repensar

o caminho

as companhias

e um jeito definitivo

de retornar a viver

Abril 2021