domingo, 6 de janeiro de 2019

Nada além de nada


Por Jânsen Leiros Jr.

Obrigado pelo tudo
que jamais tivemos
Agradecido pelo nada
a que chegamos
A chama no peito
que jamais ardeu
o brilho no olhar que
nunca chegou
O coração que em luto
sequer pulsou
a mente ativa
que me desligou
Razões sem qualquer
razão
motivos sem
haver paixão
No que foi que eu cri?
Por que foi que insisti?
Não fiz parte dos sonhos
Ou nem mesmo os
provoquei
Fui o totem do fracasso
o espelho do descaso
a lembrança da rejeição
Por fim o fim
Até que enfim
Antes tarde do que nunca
pra quem nunca foi
nada além de nada

Janeiro 2019

sábado, 27 de outubro de 2018

Corações serenos


Por Jânsen Leiros Jr.

- Como vai?
- Caminhando
- Como anda?
- Tudo indo
- Para onde?
- Eu não sei
Nunca sei
e pelo que soube
pelo pouco que entendi
andamos sem saber
Na verdade
por querer
sem querer conhecer o Caminho
Caminhamos pra qualquer lugar
Que importa?
ou quem se importa?
Já não se suporta o peso
do desconhecido
o medo do inesperado
Contingências apavoram
- Como estão?
- Capengando
Se sozinho ou lado a lado
tanto faz ou se fará
Somos todos bons errantes
acertando um mesmo passo
Seria demais saber pra onde?
Seria demais saber pra quê?
Pra quê saber
se nem mesmo se saberia
com isso o que fazer?
É querer saber demais
Então sigamos marchando
Apascentados
Cuidados
Alimentados
Um rebanho inquieto
uma gente claudicante
Um agente pacifista
e os corações serenos
- E agora como vai?
- Melhor que nunca
Fevereiro 2018

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

A quatro mãos


Por Jânsen Leiros Jr.
Bastou um olhar
um cumprimento
um sorriso e o
som da voz

Bastou a ideia declarada
bastaram frases camufladas
Bastou o tempo vivido
para revelar a surpresa

Não que hajam inocentes
nem que o sejam de tudo
mas a verdade embutida no abraço
legitima o encanto e o encontro

A noite seria um fiapo
e décadas seriam pó
Toda vivência ganha sentido
no inédito sentido aplicado

Sonhos sonhados em dupla
semelhantes afetos abertos
novidades cantadas em versos
poesia composta a quatro mãos

O que jamais existiu
o que se quer se pensou
o que nem fazia sentido
Emoção que se havia perdido

Janeiro 2018

Sofrida cisão


Por Jânsen Leiros Jr.
De que serve a atenção empenhada
e a alma polida
se desaforos xingados
retratam verdade escondida?

De que vale utilidade doada
se oportunidade encontrada
morre em amizade fingida
velado em socorro atrasado?

Um desgosto a mais na conta
um sorriso a menos no rosto
ojeriza declarada na cama
um adeus diário sofrido

Não há nada que se queira recuperar
nada mais a se buscar restaurar
Já não há quem me queira bem
apenas quem procura por bens

Criticar é sempre mais fácil
que entender
como mandar é bem melhor
do que fazer

Se de tudo sobrarem versos
das moedas atiradas ao chão
de que valerão suas caras
por mais cara e sofrida cisão

Janeiro 2018

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Mundo maltrapilho


Por Jânsen Leiros Jr.
Na ansiedade
pela vantagem
ganância e
solidão

Querendo
melhor forma
maior lucro
nem se nota
o que se tem
Não há valor
no que é nosso
se ninguém reconhecer

Jamais a grama
do vizinho
foi tão verde
jamais um abraço
genuíno tão
difícil
Interesses são a mola
conveniências a lama
incertezas a cama
E sexo fácil
a qualquer custo

Todos são tão bons
que não há
lugar pro mal
neste mundo
Então por que
tão pior?

Porque não somos
o que mostramos
no teatro mal versado
no cenário tosco
desse mundo maltrapilho

Junho 2017