domingo, 21 de fevereiro de 2021

Desperdício

Por Jânsen Leiros Jr.

Dedicado esforço

empenhadas palavras

repensadas ideias

reviradas histórias

Nada sério afinal

 

Quem se importa

quem me nota

quem se entrega

ou quem me leva?

 

Quantas rimas

esquecidas

quantos versos

incompletos

Quanta prosa inacabada uma versão incompleta

 

Flores deixadas à porta

emoções guardadas

no saco

sentidos incertos

confusos

desejos trancados

na alma

 

Um certo sentido

esquecido

uma certa emoção

apagada

A paixão atirada

ao vento

Um amor retirado

do mundo

Desperdício

Fevereiro 2021

Certezas contidas

 

Por Jânsen Leiros Jr.

Sim foi um susto

uma surpresa total

Muita verdade

para tão pouca realidade

Tanta vontade

para quase nada vivido

Surgido de onde?

Inspirado em que?

Que sentimento é esse

que faz da ausência enredo

e da presença canção?

Me sobram rimas

sobejam palavras

me elevam os sonhos

me atacam sentidos

Vejo você em portas

passando janelas

correndo na rua

deitada na cama

Como queria

você por aqui

Como queria

Como iria

para onde fosse

O jejum não resiste

o amor se renova

o favor se duplica

e a língua destrava

Não há segredos duráveis

Não há ofensas doídas

Só há certezas contidas

de uma vida feliz

Fevereiro 2021

Nada a ser


Por Jânsen Leiros Jr.

De repente o chão

desaparece

a esteira some

e o caminho se desfaz

Nenhum passo

a mais

nenhuma ideia

ao menos

Tudo desconhecido

tudo incerto

nada a esperar

Por onde ir?

Nada como a dúvida

para suscitar

a certeza do fim

enfim

Longe o querer

distante o poder

contente-se com

o que há

ou mesmo com

o pouco que houve

Nada a ver

Nada a ser

Nunca mais

Fevereiro 2021

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Ainda há vida

 

Por Jânsen Leiros Jr.

Pensei que vislumbraria

a cena

torci para que me tirasse

o fôlego

Acreditei que me saltariam

os olhos

e que dispararia

o peito

Imaginei as curvas

ousei prever as retas

e acelerei as intenções

perdendo o controle

nos contornos

Toda fantasia tem

seu preço

como todo sonho tem

seu tempo

Todo e qualquer

tempo se esvai

 

Não é sempre que se

ganha um presente

embora eu creia que

tudo me sejam dádivas

Olhos de mangá

jeito de porpeta

divina deusa maia

em teofanias de deserto

Uma brisa sibilante

com modos de furacão

que nada destrói

embora assuste

Ao menos traz um refresco

nas asas de ventos benditos

que renovam a alma

e o encanto

Um horizonte incógnito

uma incerteza total

um desafio a mais

Ainda há vida!

Dezembro 2020

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Incomparável

 

Por Jânsen Leiros Jr.

Sempre há com o que

se comparar

Sempre há com um quê

Isso não está bom

esse outro está ruim

Nunca se dá por satisfeita

sempre se achando o pior

Tentativa insana

de trocar a crítica eventual

pelo elogio condescendente

Vaidade de vaidade

tudo amenidades

Tanto é assim

que pelo olhar encurtado

se vê pelo espelho

e não se percebe nos olhos

 

Encarando-se com coragem

confrontando-se confiante

não há quem não

se perceba

joia bruta nas

próprias mãos

Lapide-se

 

Esqueça a forma aparente

o shape enganoso

e se sarado ou não

Entenda a alma

perceba os gestos

e escute o coração

Inigualável

Generoso

Incomparável

Dezembro 2020